Ney Matogrosso construiu uma forma de interpretar em que voz aguda, figurino e movimento participam da mesma apresentação. Desde os Secos & Molhados, nos anos 1970, sua presença no palco confrontou expectativas sobre o comportamento masculino. A carreira solo ampliou esse trabalho com compositores e repertórios diferentes.
Dos primeiros trabalhos aos Secos & Molhados
Ney de Souza Pereira nasceu em 1º de agosto de 1941, em Bela Vista, hoje Mato Grosso do Sul. Antes da projeção musical, passou pela Aeronáutica, trabalhou em hospital, fez artesanato e buscou o teatro, segundo o Dicionário Cravo Albin.
Ao lado de João Ricardo e Gerson Conrad, integrou a formação dos Secos & Molhados que gravou os discos de 1973 e 1974. Em entrevista à ELLE Brasil, Ney recordou o encontro com os músicos, intermediado por Luhli, e a procura por alguém capaz de cantar em registros agudos.
O grupo reunia música, maquiagem e uma performance que dava ao público elementos visuais tão reconhecíveis quanto a voz. Essa relação continuou a ser desenvolvida depois da saída de Ney, em 1974.
A carreira solo e os compositores
O primeiro LP solo chegou em 1975 e destacou “América do Sul”, de Paulo Machado. Em Bandido, de 1976, Ney gravou “Bandido corazón”, de Rita Lee. No ano seguinte, Pecado incluiu “Tigresa”, de Caetano Veloso, entre outras composições.
Os créditos ajudam a localizar sua contribuição como intérprete. A composição pertence a seus autores; a escolha do repertório, o fraseado e a apresentação cênica participam da maneira como Ney a comunica ao público.
Em 1981, “Homem com H”, de Antônio Barros, ganhou repercussão em sua voz. Em 1983, registrou “Pro dia nascer feliz”, de Frejat e Cazuza. Esse repertório aproxima sua carreira de autores do rock brasileiro, sem restringi-la a um gênero.
Para continuar por esse período, a seleção de rock nacional dos anos 1980 e 1990 apresenta outros caminhos de escuta, incluindo Cazuza, Titãs e Paralamas.
O terno de Pescador de pérolas
Em 1987, Ney apareceu sem as fantasias e a maquiagem habituais em Pescador de pérolas. Ao recordar a apresentação no Copacabana Palace para a ELLE, disse ter se sentido desprotegido e ter tremido. A retirada dos adereços não significou, para ele, uma exposição menor.
O relato esclarece o papel do personagem: aquilo que o público podia perceber como uma forma de chamar atenção também oferecia ao cantor condições para enfrentar o palco. Essa explicação vem da experiência narrada por Ney, e ajuda a compreender suas escolhas visuais.
O acervo de figurinos e os 50 anos da carreira solo
A exposição realizada pelo MIS em 2025 organizou documentos, fotografias, capas e figurinos de diferentes fases. O acervo de indumentária, entregue pelo artista ao Senac para guarda e conservação, permitiu acompanhar materialmente esse trabalho.
O cinquentenário celebrado em 2025 corresponde à carreira solo iniciada em 1975; a projeção com os Secos & Molhados é anterior. Para ouvir essa trajetória, comece pelo grupo, siga por “América do Sul”, “Bandido corazón” e “Homem com H”, e compare com Pescador de pérolas. A mudança de repertório e apresentação permite acompanhar escolhas diferentes de um mesmo intérprete.
Fontes e informações editoriais
- ELLE Brasil: entrevista com Ney Matogrosso
- Dicionário Cravo Albin: biografia e trajetória
- MIS: exposição Ney Matogrosso
Imagem principal: Ney Matogrosso em apresentação. Imagem de arquivo. Foto: Cilo Roberto Bonaparte / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0). Procedência da fotografia. Licença CC BY-SA 2.0. Redimensionamento de origem; sem montagem editorial.
Texto gerado por inteligência artificial, com pesquisa e conferência automatizadas de fontes. Não houve revisão humana documentada nesta edição.
Revisão editorial em 22 de outubro de 2026.


