Dan Stulbach, entre o teatro, o rádio e os discos de jazz

Conheça a trajetória de Dan Stulbach, de Mulheres Apaixonadas e Tempos de Paz ao Fim de Expediente, e sua relação com o jazz e os discos de vinil.
Dan Stulbach de terno escuro e gravata vermelha, em retrato de 2003.

Dan Stulbach ficou conhecido por um personagem que provocava medo. Em Mulheres Apaixonadas, novela de Manoel Carlos exibida em 2003, interpretou Marcos, o marido que agredia Raquel, vivida por Helena Ranaldi. O papel lhe deu uma visibilidade que ultrapassou o público do teatro, onde ele já trabalhava havia anos.

Mas existe outro Dan familiar a quem acompanha o rádio: o apresentador do Fim de Expediente, que conversa com convidados, comenta acontecimentos e divide o microfone com José Godoy e Luiz Gustavo Medina. E há ainda o ouvinte que, em entrevista, contou colecionar vinis e ouvir jazz.

Essas atividades ajudam a compreender uma carreira que não cabe apenas na lembrança de uma novela. A história passa pela formação teatral, pela experiência de uma família de imigrantes e pelo interesse em conversar sobre assuntos que vão além da atuação.

O teatro antes da televisão

Nascido em São Paulo, em 26 de setembro de 1969, Dan Filip Stulbach é filho de imigrantes judeus poloneses. O caminho até a profissão de ator teve hesitações e mudanças de direção. Ele chegou a cursar engenharia, formou-se em Comunicação Social na ESPM e encontrou no teatro uma atividade que também passou a ensinar.

O perfil publicado pelo Trip FM em 2009 registra sua passagem pelo teatro amador na escola, o trabalho como professor e a estreia profissional em Peer Gynt, de Henrik Ibsen. Antes da projeção nacional, portanto, havia uma rotina de palco e formação de atores.

Um dos trabalhos decisivos foi Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil. Nele, Stulbach interpretou Clausewitz, um imigrante polonês que precisa convencer um funcionário brasileiro a permitir sua entrada no país. Tony Ramos viveu Segismundo, o homem que detém essa autoridade.

Foi ao assistir à peça que Manoel Carlos se interessou por Stulbach e sugeriu sua escalação para Mulheres Apaixonadas, segundo o Memória Globo. A relação entre os dois trabalhos é direta: uma interpretação construída no palco abriu a porta para o personagem que o tornaria conhecido por um público muito maior.

Marcos e Raquel em Mulheres Apaixonadas

Marcos entrou na novela como uma ameaça à tentativa de Raquel de reorganizar a própria vida. A professora, interpretada por Helena Ranaldi, procurava se afastar de um marido violento. As agressões mostravam que o perigo continuava presente mesmo depois da mudança de cidade.

A raquete de tênis se tornou o objeto mais lembrado dessa trama. Sua origem, porém, foi circunstancial. Segundo o Memória Globo, Manoel Carlos havia feito de Marcos um professor amador de tênis para aproximá-lo do ambiente escolar. A raquete já estava nas mãos do personagem antes de ser usada nas cenas de violência.

Essa informação de bastidor permite entender como um elemento cotidiano ganhou outro significado dentro da narrativa. Um objeto ligado ao esporte passou a representar a intimidação e as agressões praticadas pelo personagem.

Ao revisitar o trabalho, é importante preservar essa distinção: a violência era de Marcos, uma criação ficcional interpretada por Stulbach. A força da atuação estava em tornar reconhecível o comportamento do agressor, dentro da história de uma mulher que tentava escapar dele.

Clausewitz volta em Tempos de Paz

Em 2009, Stulbach e Tony Ramos retomaram no cinema os personagens de Novas Diretrizes em Tempos de Paz. Com direção de Daniel Filho e roteiro de Bosco Brasil, o filme recebeu o título Tempos de Paz.

A história se passa em 1945. Clausewitz chega ao Brasil e é submetido ao interrogatório de Segismundo, ex-integrante da polícia política do governo Vargas que trabalha na imigração. O estrangeiro precisa se fazer entender diante de alguém que pode decidir seu destino.

É um trabalho especialmente útil para conhecer outra dimensão de Stulbach. A situação depende da palavra, da dificuldade de comunicação e da desigualdade de poder entre os personagens. O passado de Clausewitz como ator também participa do confronto: representar e contar uma história tornam-se recursos para tentar atravessar aquela barreira.

Na crítica publicada na estreia, em agosto de 2009, a Folha de S.Paulo destacou o caráter teatral do longa e a importância dos gestos e das palavras na atuação dos protagonistas. O filme preservava justamente o encontro entre os dois intérpretes que havia sustentado a montagem no palco.

O microfone do Fim de Expediente

O rádio entrou de maneira duradoura em sua trajetória em 2006, com o Fim de Expediente, na CBN. Ao lado de José Godoy e Luiz Gustavo Medina, Stulbach encontrou espaço para entrevistar e comentar assuntos fora de um personagem.

A duração dessa parceria merece atenção. Em agosto de 2026, a Prefeitura de Curitiba anunciou uma edição do programa no Festival da Palavra, com o trio no Teatro do Paiol para conversar com autores convidados. Duas décadas depois do início, a proposta continuava ligada ao encontro entre conversa, cultura e acontecimentos da semana.

Para o público, o rádio oferece uma relação diferente daquela criada pela novela. A familiaridade nasce da continuidade: ouvir as mesmas vozes, conhecer suas referências e acompanhar como reagem aos convidados. Stulbach passa a ser reconhecido também por suas perguntas e opiniões.

Vinil, jazz e memória musical

Em uma entrevista concedida a Alberto Villas, na Trip, em 2015, Stulbach contou que colecionava vinis e ouvia jazz. A observação apareceu numa conversa sobre livros, fotografia, tecnologia e hábitos pessoais. É uma relação com a música documentada pelo próprio ator, sem que seja necessário transformá-lo em especialista ou imaginar quais discos guarda em casa.

Ele já havia explicado esse vínculo por outro caminho. Em um depoimento ao site do Domingão do Faustão, publicado em 2011, associou “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, à passagem da adolescência para a maturidade.

“O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, foi relacionada à sua formação social e à compreensão do Brasil. As músicas apareciam como pontos de referência para lembrar o que vivia e aprendia em determinadas épocas.

Esse relato dá uma dimensão mais concreta ao colecionador de discos. A música participa de sua formação e oferece uma maneira de organizar lembranças. O interesse pelo objeto convive com aquilo que uma canção consegue fazer reaparecer.

Para explorar uma vertente do gênero, o guia de jazz espiritual do VINIL reúne caminhos de escuta com John Coltrane, Alice Coltrane e Pharoah Sanders. São indicações do site, sem relação documentada com a coleção de Stulbach.

Shakespeare e a continuidade do palco

A televisão e o rádio ampliaram suas atividades, mas o teatro permaneceu. Em novembro de 2025, a TV Cultura apresentou sua participação no Provoca, com Marcelo Tas, destacando o trabalho em O Mercador de Veneza, de William Shakespeare. Stulbach interpretava Shylock, personagem central nos conflitos de preconceito, dinheiro e vingança da peça.

O percurso entre Clausewitz, Marcos e Shylock reúne personagens submetidos a circunstâncias muito diferentes. Acompanhar esses trabalhos, ao lado das conversas no rádio, permite conhecer uma carreira com mais espaço do que a memória de um único papel costuma oferecer.

Para continuar essa aproximação, a entrevista de Dan Stulbach ao Provoca, publicada pelo canal oficial do programa, reúne uma conversa sobre atuação, humor, televisão e seu trabalho com Shakespeare.

PROVOCA | Dan Stulbach 11/11/2025 — entrevista de Marcelo Tas, canal Provoca, TV Cultura.

Fontes e créditos

A busca no Discogs por “Dan Stulbach” não retornou registros. Esse resultado não comprova ausência de todos os possíveis créditos; nenhuma discografia foi atribuída ao ator.

Imagem principal: Dan Stulbach, em 27/08/2003. Foto: Lindomar Cruz/Agência Brasil, via Wikimedia Commons. Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Foto de arquivo; original preservado, com versões redimensionadas automaticamente pelo WordPress.

Texto gerado por inteligência artificial, com pesquisa nas fontes identificadas.